Olha, se tem uma coisa que não suporto na internet é essa possibilidade de se criar um Blog pra depois postar 1, 2, no máximo 3 vezes por mês. Que falta de consideração com os possíveis leitores... Entristecedor!
Mas enfim...
Depois de um proseio bem legal há umas 2 semanas com o copoanheiro Bicarato, o mesmo me desafiou contar um certo causo aqui... então, vamos tentar né...
Meus pais nunca foram de muitas posses, posses materiais.
Moramos (e continuo morando) em uma casa cedida. Viemos ter nosso primeiro televisor em cores (de 14 polegadas e via consórcio), quando eu tinha em torno de uns 9 anos. Microondas pra mim era artigo de luxo. Guloseimas (bolachas recheadas, chocolates, salgadinhos, docinhos em geral) só na casa dos outros. Nunca chegamos a passar fome, mas por longos periodos nossa refeição era arroz, feijão e ovo. Isso por que tinhamos um galinheiro em casa.
Mas enfim...
Depois de um proseio bem legal há umas 2 semanas com o copoanheiro Bicarato, o mesmo me desafiou contar um certo causo aqui... então, vamos tentar né...
Meus pais nunca foram de muitas posses, posses materiais.
Moramos (e continuo morando) em uma casa cedida. Viemos ter nosso primeiro televisor em cores (de 14 polegadas e via consórcio), quando eu tinha em torno de uns 9 anos. Microondas pra mim era artigo de luxo. Guloseimas (bolachas recheadas, chocolates, salgadinhos, docinhos em geral) só na casa dos outros. Nunca chegamos a passar fome, mas por longos periodos nossa refeição era arroz, feijão e ovo. Isso por que tinhamos um galinheiro em casa.
Pode até parecer besteira, nenhuma dessas coisas são realmente necessárias para sobrevivência, nota-se inclusive que estou aqui hoje, mas para uma criança, isto entre o final de 80 e medade de 90 quando esses tipos de coisas já eram bem acessiveis para grande parte da população, é bem marcante.
Porém quando meu pai podia me dar meia dúzia de balas que fosse, ele fazia valer. Lembro das vezes que acordava e ao lado da minha cama havia um pequeno bilhete, as vezes com um desenho, as vezes com uma charada, me levando para algum lugar da casa, que possui um "baita" de um quintal.
Na época tinhamos um galinheiro, uma criação de coelhos, um "rancho" para as ferramentas e bugigangas e um para o material de Silk Screen, diversas árvores... É um quintal bem espaçoso mesmo (embora antigamente parecia muito maior), com possibilidades de se esconder até mesmo o próprio palheiro...
Quando encontrava o local indicado pelo desenho ou charada, ficava procurando frestas, compartimentos, caixas, buracos, pedras, ou onde mais poderia estar escondido o próximo bilhete... E assim passava o resto do dia, nesta "caça ao tesouro".
No fim encontrava, meia dúzia de balas, uma barra de chocolate, 3 pacotinhos de "figurinhas" ou coisas "simples" assim. Nunca encontrei um video-game, um "computador", aqueles kits para se montar um enorme esqueleto de dinossauro, um autorama, aeromodelo, ou nada que o transformaria em um tesouro financeiramente valioso.
Mas lembro que algumas vezes, sem querer encontrava o "tesouro" antes da hora, antes de encontrar o bilhete que me levava para o local final, e ao invés de aproveitar o "corte de caminho", devolvia-o para lugar onde encontrei e voltava para a busca que meu pai tentou e tenta até hoje me passar.
Assim aprendi que o verdadeiro tesouro não estava, e não está no final do caminho, mas sim no aprendizado que temos durante todo o percurso.
Então tá aí Bica, sem a menor qualidade de escrivinhação, porém com sinceridade e vários momentos emotivos enquanto relembrava.
Clap! Clap! Clap!
ResponderExcluirMuito bom, cara!
Não o instiguei só a escrever, instiguei porque são essas coisas que *precisam* ser compartilhadas.
=^)